domingo, 10 de maio de 2009

MENINO DA PORTEIRA
A
Toda vez que eu viajava
E
Pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava
A
A figura de um menino

Que corria abrir a porteira
E
Depois vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço
D E A
Que é pra eu ficar ouvindo
A
Quando a boiada passava
E
E a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda
A
Ele saia pulando
Obrigado boiadeiro
E
Que Deus vá lhe acompanhando
Pra'quele sertão afora
D E A E A E A E A E A
Meu berrante ia tocando

Nos caminhos desta vida
E
Muito espinho eu encontrei
Mas nenhum caso mais triste
A
Do que este eu passei

Na minha viagem de volta
E
Qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada
D E A
O menino não avistei
A
Apeei do meu cavalo
E
Num ranchinho à beira chão
Vi uma mulher chorando
A
Quis saber qual a razão
Boiadeiro chegou tarde
E
Veja a cruz no estradão
Quem matou o meu filhinho
D E A E A E A E A E A
Foi um boi sem coração
A
Lá pra banda de Ouro Fino
E
Levando gado selvagem
Quando passo na porteira
A
Até vejo a sua imagem

O seu rangido tão triste
E
Mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro
D E A
desejando-me boa viagem
A
A cruzinha do estradão
E
Do meu pensamento não sai
Eu já fiz um juramento
A
Que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure
E
Que eu precise ir atrás
Nesse pedaço de chão
D E A E A E A E A E A
Berrante eu não toco mais

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